Nódoa no Brim Edição #24 | Agosto/2015

Por | 21 de março de 2016
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Poiésis: a escrita performática de Luciane Carvalho

A produção literária de Luciene Carvalho se dá efetivamente com a publicação de Devaneios, em 1994 e se estende até a atualidade, num total de onze livros publicados.
Em Devaneios, no qual coube a Luciene Carvalho contribuir com uma terça parte dos poemas do livro, a autora oferece a seus leitores um sujeito poético que encara o mundo a partir de uma focalização baseada nas questões de gênero. Em Teia, seu segundo livro, desta vez publicado individualmente com recursos próprios, a autora torna evidente que uma vez mais seu foco temático será intermediado pelo feminino. Pode parecer óbvio que, em sendo mulher, sua literatura alcance o universo da mulher, mas conforme recente estudo realizado por Regina Dalcastagnè (2012), a literatura brasileira tem servido para a perpetuação de lugares comuns. Essa constatação é fruto de pesquisa de mais de doze anos que apontou o fato de que, em torno de dois terços de autores e personagens da nossa literatura são do gênero masculino e tematizam problemas pertinentes a esse contingente.
Teia acentua os temas que foram previamente tratados em Devaneios. A primeira ideia a que nos remete o título dessa segunda obra, é certamente a cama de seda dos aracnídeos, usada para atrair seres vivos incautos. Conforme a Biologia, a seda da aranha é produzida pelo inseto em estado líquido e se solidifica ao entrar em contato com o ar. Outra curiosidade relativa ao tema é que os aracnídeos mais resistentes não constroem teias, apenas os menores e, boa parte das teias elaboradas emite luz ultravioleta parecida com a pétala de flores que servem para atrair prováveis vítimas.
Por esses atributos, a teia trata-se de uma boa imagem para o tipo de sujeito que se apresenta no corpo da obra, revelando um feminino fora dos padrões de passividade outrora desejáveis. Faz-se no verso um eu lírico que flerta com os antigos elementos usados para sua aniquilação: o amor, o desejo, a posse, o sexo sem compromisso. Mas dessa vez sua proposição não é a entrega gratuita e passiva do corpo, de seu discurso; pelo contrário, como aranha tecedora de teias, encarna Lílite (ou Lilith), a primeira mulher.

Edilson Floriano Souza Serra – IFMT

 

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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