Nódoa no Brim Edição #29 | Janeiro/2016

Por | 21 de março de 2016
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As fronteiras literárias e o romance em Mato Grosso

Neste breve estudo sobre o romance brasileiro em Mato Grosso, procuramos pensar as formas do romance filiado a uma obsessão pela origem, pela história que descortina um passado, uma memória cultural e identitária. A cartografia da região se desenha absoluta como compreensão e sistematização de uma fase do romance em Mato Grosso, em associação com o projeto nacional e reiterando o compromisso memorialístico com a formação. Aqui, uma vez mais, traremos o conceito de região. Não inadvertidamente. Nosso recorte precisa o romance Era um poaieiro, publicado em 1944.
Era um poaieiro, de Alfredo Marian, traz a história da extração da poaia em Mato Grosso por meio da perspectivação de Brasilino. Este herói sertanejo, quiçá, nossa melhor construção emblemática da cultura, é o mestiço, poaieiro íntegro e apaixonado por Tereza.
Aqui mais uma vez o herói é viajante, nos termos discutido por Flora Sussekind em O Brasil não é longe daqui (1990),- bem ao molde Taunay,- o romance desenha uma cartografia do sertão mato-grossense, movido pela busca de condições melhores de vida. Brasilino enfrenta a mata, e faz do trabalho com a extração da poaia seu meio de vida. É dessa assertiva que o romance se presta, quiçá, mais que em outro momento, a um mapa de Mato Grosso, um desenho de seus limites, suas fronteiras sociais e culturais. Brasilino, nome que carrega a condição emblemática do herói nacional, não fere a unidade restaurada pelo Nacionalismo quando se volta para cartografar a região.
“A tropa já devia ir longe, no caminho da Barra, mas Brasilino ainda queria passar no Assai, onde morava Tereza, sua noiva. Apertando o Rosilho, ia ele enlevado nos seus sonhos. Se corresse bem, a poaia tendo bom preço, no fim da safra, em março ou abril, poderiam enfim realizar os seus desejos. Ficariam algum tempo, talvez alguns anos, com a velha, ajudando-a a criar os pequenos. Depois iriam fundar um sitio novo, no sertão, lá pelas bandas do Taira Sentido, onde havia boas terras devolutas, completamente desertas”. (Marian, 2008, p.13)

Walnice Vilalva (PPGEL/UNEMAT)

 

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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