Nódoa no Brim Edição #39 | Novembro/2016

Por | 16 de dezembro de 2016
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Haverá Função na Literatura?

Recentemente, fui a uma das unidades da Unemat, em Tangará da Serra – MT. Tive uma grande surpresa em dividir a mesa expositora com o autor Ricardo Lísias, um homem bem preparado, escritor já reconhecido nacionalmente. Na fala que abriu o evento, Lísias abordou a “função contemporânea da literatura” como inclinada para o ativismo social. O escritor sustenta que a função de escrever deve estar comprometida com a transformação da realidade social, denunciando abusos e contradições. E, por isso, o incômodo é a sensação central que busca com esse recorte literário que pretende. Cá com os meus botões, fiquei pensando: onde fui me meter?; como posso pensar tão diferente desse reconhecido escritor?; não fica muito ruim discordar frontalmente dele diante de uma plateia com quase trezentos estudantes de graduação, mestrado e doutorado em letras? De qualquer forma, estava ali e tinha que dizer alguma coisa. Qual a função da arte? Antes de responder a essa questão, formulei uma que a precede – a arte, afinal de contas, deve ter uma função? Noutras palavras – é possível pautar um artista com determinado tema ou finalidade? Por certo que não. Qualquer manifestação artística vem muito mais da necessidade íntima do artista em expressar-se do que de qualquer obrigação teleguiada. Justamente por isso é que o campo artístico é tão diverso como o próprio ser humano – cada qual faz o que entende interessante. Importa somente (nisso concordo integralmente com o escritor Ricardo Lísias) tocar intimamente o interlocutor. Se for pelo desconforto, tanto melhor. A emoção é o elemento central de uma literatura de qualidade. Mas, em termos de teleologia, a arte “não deve” nada. A literatura “não deve” nada. Impor uma tarefa, uma função e uma medida de eficiência para a escrita é tolher todas as demais possibilidades de produção que, cá entre nós, enriquecem a humanidade.

Eduardo Mahon (Escritor)

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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