Nódoa no Brim Edição #42 | Fevereiro/2017

Por | 4 de março de 2017
Foto - Júlio Cesar Machado de Paula

Pai contra mãe: uma relíquia machadiana entre o literário e o não literário

Sei da literatura do Rajastão e da teoria produzida sobre ela tanto quanto sei da física quântica aplicada aos anéis de saturno ou do metabolismo das bactérias que extraem sua energia do enxofre e não do oxigênio: praticamente nada. No entanto, assentado no conforto de minha reconhecida e admitida ignorância, arriscaria dizer que ao menos duas das questões que, antes de serem perseguidas, perseguiram desde sempre autores e pensadores da literatura ocidental também se apresentaram desde a primeira hora aos nossos congêneres daquela outra banda da terra: o que é a literatura? E, no rastro das (im)possíveis ou (im)prováveis respostas: para que ela serve? É evidente que este breve ensaio não tem a intenção e, menos ainda, a pretensão de tentar respondê-las. Para isso estão aí os manuais de teoria da literatura, aos montes. Mas não consultes manuais. Não porque eles mintam (embora possam fazê-lo), mas porque também eles, por mais que se esmerem, não chegam a respostas convincentes. De qualquer forma, podemos, a partir deles, refletir sobre as duas posturas predominantes nessa busca vã e, com alguma sorte, extrair delas alguma reflexão interessante sobre a literatura. Mencionemos, para logo esquecê-la, a postura essencialista, ou seja, a que busca nos dizer que sim, há algo universal que essencialmente define o literário e o torna reconhecível ao longo do tempo e do espaço. Ora, a fragilidade de tal postura pode ser facilmente evidenciada por um exercício de anacronismo feito por meio de uma questão simples: os leitores rajastaneses do século XII reconheceriam O livro do desassossego, de Pessoa, ou Viva Vaia, de Augusto de Campos, como literatura? Ou, mais precisamente, reconheceriam como o que nós, bem ou mal, entendemos ser literatura? Não respondam. Fiquemos com o nosso bom e velho problema de ter de lidar com o caráter literário (para não classificá-los como literatura) dos sermões de Vieira ou de Os sertões, de Euclides da Cunha.

Júlio Machado (Universidade Federal Fluminense)

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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