Nódoa no Brim Edição #53 | Janeiro/2018

Por | 31 de janeiro de 2018
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A Profanação do Sagrado em Encosto, de Eduardo Mahon: liames que rompem barreiras do corpo e do espírito

Formular reflexões acerca da subversão na espiritualidade é tarefa árdua na medida em que enveredamos sobre o incógnito. Nesse ínterim, a literatura brasileira trouxe-nos, na última publicação de Eduardo Mahon, um forte exemplo de como a manifestação literária consegue quebrar vínculos com o senso comum. A coletânea intitulada Contos Estranhos, que reúne 35 contos e uma novela, numa edição bilíngue, traz diversas questões que pendem entre a libido transgressora, o absurdo e os interditos que são próprios da contemporaneidade. Contista, poeta, romancista, advogado, membro da Academia Mato-Grossense de Letras, Eduardo Mahon conta com várias publicações nos últimos anos. Escritor múltiplo, publicou tanto na prosa, quanto na poesia. No que tange à última obra, temos um trabalho cujo estilo toma como referência o realismo fantástico, algo já trabalhado pelo autor em Doutor Funéreo e Outros Contos de Morte, de 2014. Os insólitos casos dos contos de Mahon partem de premissas que vão desde acontecimentos banais e desfechos contraditórios, em que o bizarro pode ser explicado, a circunstâncias sobre-humanas, chegando a transcender o campo do contrassenso. De acordo com Todorov (2008), a essência do fantástico se encontra ao nos depararmos, na literatura, com um mundo tal qual o nosso, mas cujos acontecimentos não podem ser explicados pelas leis naturais que conhecemos. No caso dos contos que recaem sobre esses aspectos, a realidade presente seria regida por leis desconhecidas. O que se averigua numa situação como a do conto Encosto, em que há a união sexual em duas instâncias: uma corpórea e outra não-corpórea. A explicação racional de tal acontecimento foge à lógica factual, no entanto, dentro do conto, torna-se totalmente possível devido à mediunidade da protagonista. Encontramo-nos em meio a um terreno bastante escorregadio ao procurarmos analisar um conto fantástico a partir de uma perspectiva advinda de uma visão de mundo que relega o sobrenatural à categoria do engano. Em vista disso, nada mais natural do que nos aprofundarmos na diegese contística sem nos preocuparmos com o limiar existente entre o verossímil e o inverossímil, apoiando, desse modo, nossas reflexões a partir do princípio de que os acontecimentos narrados se bastam. Tal ponto de partida é importante para não incorrermos no risco de invalidar o enredo ou o taxarmos de inconsistente devido a um olhar mais enviesado.

Luan Paredes Almeida Alves (UNEMAT)

  Fábio Júnio Vieira da Silva (UNEMAT)

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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