Nódoa no Brim Edição #56 | Abril/2018

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Hilda Hilst: Carne, Encanto e Palavra

Natália Marques (PPGEL/ UNEMAT)

Adentrar no universo hilstiano é invadir uma reserva de linguagem quase inexaurível, multifacetada, em que prosa, poesia, crônica, conto e teatro constituem “uma só múltipla matéria” a perturbar a norma literária que prescreve as competências e incompetências da escrita. Considerada pela crítica especializada como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX, Hilda Hilst (1930-2004) percorreu inúmeros gêneros literários, tendo sido capaz de envolver todos estes em um único texto: foi da poesia à prosa, do teatro à crônica.

Dona de uma vasta e consistente obra, composta de mais de quarenta livros, Hilst não escreveu por distração, em seus escritos, procurou sempre tratar e inquirir sobre questões existenciais e metafísicas. Em entrevista publicada no jornal O Estado de São Paulo (1975), revela: “[…] Quero ser lida em profundidade e não como distração, porque não leio os outros para me distrair, mas para compreender, para me comunicar. Não quero ser distraída. […].  Parece que as pessoas querem livrar-se assim de si mesmas, que têm medo da ideia, da extensão da metafísica de um texto, da pergunta, enfim.” (HILST, 1975, p. 30).                                                                                                                                                                            Devido ao caráter denso e metafísico de suas obras, por estar sempre buscando respostas e questionando sobre a morte, sobre Aquele Outro, Pássaro-Poesia e sobre a existência humana, foi por muitas vezes considerada uma escritora erudita, pois seus escritos exigem certo conhecimento filosófico; tal fato ocasionou um não reconhecimento de sua obra tanto por parte de leitores como também do mercado editorial, que apresentava certa resistência em publicar suas obras. Insatisfeita, Hilda passou a vida queixando-se da falta de leitores, haja vista que almejava o reconhecimento e que estes pudessem chegar à essência – e, assim, compreendessem a plenitude – de seus escritos.

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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