Nódoa no Brim Edição #61 | Setembro/2018

Por | 18 de outubro de 2018
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A Ficção Marginal Contemporânea em Rubem Fonseca

Discorrer sobre Literatura Contemporânea é uma tarefa que nos traz uma série de questões cuja reflexão teórica demanda um certo esforço. Nada mais natural, tendo em vista a quantidade de enfoques que um mesmo texto literário pode ter e a pertinência de certas temáticas frente ao atual contexto em que vivemos. Essa assertiva torna-se premente ao observarmos autores como Rubem Fonseca, cuja produção estética permeia aspectos como identidade, conflitos urbanos, marginalização, vieses políticos, entre outros. Trata-se, pois, de uma miscelânea de tendências que atingem pontos vitais no que diz respeito ao binômio literatura-sociedade.

José Rubem Fonseca, nascido em 11 de maio de 1925, iniciou sua carreira de escritor como contista, sendo a obra Os Prisioneiros (1963) seu primeiro livro de contos. Publicou, também, diversas coletâneas de narrativas curtas, porém, sua preferência recaiu sobre os romances. Em ambos os gêneros, a predominância nas tramas é de circunstâncias violentas, ações criminosas, anti-heróis marginalizados, que, à sua maneira, trazem à tona narrativas imprevisíveis e de conteúdos bastante singulares.

O conto escolhido para análise intitula-se Duzentos e vinte e cinco gramas, extraído do já citado primeiro livro de contos do autor, Os Prisioneiros (1989). Fonseca tem por característica representar, em seus contos, condições estéticas do grotesco, do infame, além de uma descomunal violência. O leitor se depara com situações que podem provocar repulsa e desconforto, pois a narrativa, em vários momentos, apresenta um cenário mórbido, degenerado.

No conto Duzentos e vinte e cinco gramas não seria diferente: a linguagem é brusca, insensível, conforme percebe-se no trecho a seguir:  “Nesse instante chegou o legista. “Boa tarde. Em que posso servi-los?” “Nós somos amigos, éramos amigos de dona Elza Wierck, a moça que foi, que foi—” “Lamentável”, disse o legista, “lamentável. Pobre moça! Prenderam o tarado que a matou, não prenderam? Era o namorado, não era?” “Nós éramos amigos dela.” “Ela não tem parentes?”, perguntou o legista. “Não sei”, respondeu um dos jovens senhores. “Acho que não”, disse outro. “Ela era suíça, creio que os parentes estão na Europa”, acrescentou o terceiro. “Ah! ela era suíça”, disse o legista, esfregando as mãos como se estivesse muito satisfeito em ouvir aquilo. “Uma linda mulher”, continuou, “pode-se ver, mesmo agora” (FONSECA, 1989, p. 25).

Mayara Landin de Oliveira (UNEMAT)

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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