Nódoa no Brim Edição #7 | Fevereiro/2014

Por | 21 de março de 2016
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Ricardo Dicke em casa

Começo este artigo pela palavra “espanto”. Sim, esta é a palavra que mais se aproxima daqueles que tentam e muitas vezes deixam de lado a leitura da literatura do escritor Ricardo Guilherme Dicke. Venha esta da incompreensão, do preconceito segundo o qual, “santo de casa não faz milagre”, ou mesmo da rejeição por não ter sido publicado em grandes editoras. O espanto vem desde saber que Dicke nasceu em 16 de outubro de 1936, em Raizama, distrito de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, e faleceu em Cuiabá em 09 de julho de 2008, às vésperas de completar 72 anos. Era filho do alemão João Henrique Dicke e da brasileira Carlina Ferreira do Nascimento Dicke, descendente de índios bororos.
Seu pai, fugitivo da guerra, mudou-se para o Paraguai e depois para Mato Grosso onde se tornou garimpeiro em Raizama. Aos seis anos, Dicke e a família mudaram-se para Cuiabá. Aos 12 anos, ele tornou-se aluno interno do Liceu Salesiano São Gonçalo. Nessa época já tinha lido a Bíblia inteira, várias vezes, bem como os grandes clássicos da literatura, que se encontravam na biblioteca de seu pai, na sua maioria, em outras línguas, isto o forçou a aprender vários idiomas. Dicke tornou-se poliglota, falando seis idiomas entre eles (inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, grego); aos 26 anos casou-se com Adélia Boscov, sua companheira até seus últimos dias.
Licenciou-se em Filosofia pela UFRJ e nessa mesma Universidade, anos depois, especializou-se em Merleau-Ponty e fez Mestrado em Filosofia. Como artista plástico, participou do XV Salão de Arte Moderna, no Rio de Janeiro em 1966. Estudou pintura e desenho, entre 1967 e 1969, com Frank Scheffer e, entre 1969 e 1971, com Ivan Serpa e Iberê Camargo, participou também de várias exposições em Cuiabá e no Rio de Janeiro onde trabalhou ainda como revisor, redator e tradutor. Foi repórter e pesquisador do 2º caderno de O Globo.
De volta a Cuiabá, trabalhou como professor de inglês e filosofia, na rede pública e na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) foi jornalista, romancista, teatrólogo, poeta, funcionário da Receita Federal onde se aposentou. Tem diversos livros publicados, muitos deles premiados nacionalmente. Os quais são: Caminhos de sol e lua (1961), Deus de Caim [1968] (2006), 4º lugar no prêmio Walmap; Como o silêncio (1968), 2º lugar no prêmio Clube do Livro; Caieira (1978), prêmio Remington de Prosa; Madona dos Páramos [1981] (2008), prêmio Nacional da Fundação Cultural do Distrito Federal, Conjunctio oppositorum no grande sertão (1982), A chave do abismo (1986), Último Horizonte (1988), Cerimônias do esquecimento (1999), prêmio Orígenes Lessa da UBE, Rio abaixo dos vaqueiros (2000), O salário dos poetas (2000), adaptado para o teatro em Lisboa, Toada do esquecido & Sinfonia Equestre (2006), A proximidade do mar & A ilha, Cerimônias do Sertão, O velho moço e outros contos e Os semelhantes, (2011). Os quatro últimos são publicações póstumas.

Profª Drª Madalena Machado (UNEMAT)

 

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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