Nódoa no Brim Edição #8 | Março/2014

Por | 21 de março de 2016
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Algumas evidências da obra Solidão Continental, de João Gilberto Noll

“Digam o que disserem, o mal do século é a solidão”.
(Renato Russo)

No cenário da literatura brasileira das últimas décadas, o escritor João Gilberto Noll ocupa uma posição de destaque, sendo muito reconhecido, também, no exterior, dada, principalmente, a peculiar linguagem de sua volumosa produção literária, a qual entra em cena em 1980, com a publicação de O cego e a dançarina (livro de contos), e se estende até os dias de hoje, totalizando mais de 15 livros, entre os quais se destacam: Hotel Atlântico, Harmada, A céu aberto, Bandoleiros, O quieto animal da esquina, Berkeley em Bellagio, Lord, Acenos e Afagos, Canoas e marolas, Anjos das Ondas, entre outros. Na opinião do estudioso argentino Reinaldo Laddaga (2007), João Gilberto Noll tem publicado as obras literárias mais singulares surgidas nos últimos tempos não só no Brasil, mas também na América Latina.
Nas narrativas de Noll, sejam elas contos ou romances, a singularidade destacada por Laddaga (2007) se faz visível em todos os elementos que constituem a narrativa, como tempo, personagem, espaço, tema. Predomina nas obras de Noll uma temporalidade truncada, em que passado, presente e futuro não formam uma sequência linear e progressiva, mas se sobrepõem sem seguir uma ordem cronológica definida, desorientando o leitor, que não consegue perceber com clareza as correspondências entre os fatos que são relatados.
Os lugares por onde circulam os personagens dos livros de Noll são, na maioria das vezes, aqueles espaços que o antropólogo francês Marc Augé (2004) caracterizou como não lugares: ruas, aeroportos, rodoviárias, shoppings, hospitais, etc.. Ou seja, aqueles cenários que viabilizam ou garantem o deslocamento dos homens e que são espaços abundantes na época contemporânea, a qual Augé (2004) chama de supermoderna.

Dra. Ivana Ferigolo Melo (UNEMAT)

 

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O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

Autor: Núcleo Wlademir Dias Pino

O Núcleo Estudos da Literatura Wlademir Dias Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – CONEPE, em 07 de dezembro de 2007. Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq e liderado por Walnice Vilalva e Tieko Miyazaki.

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